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Festival Vida & Arte: essência em movimento

Com todas suas cores, sons e cheiros, o festival conseguiu reunir, num só lugar, a multiculturalidade. Uniu também todas as tribos de pessoas.

26.06.18 - 08H57 Por Priscila Baima

Os passos largos para alcançar a entrada do Centro de Eventos pareciam não ter mais fim. Pernas inquietas, rosto maquiado, corpo perfumado. Estava pronta para interagir os quatros dias do Festival Vida & Arte.

Já na entrada, minhas pernas se entrelaçaram a outras milhares, por todos os lados. Artérias e veias negras, brancas e índias, de todos os formatos, cheiros e rostos. Uma outra e, porque não, nova Fortaleza estava naquele local, uma cidade que, de fato, caminha na busca pela pluralidade, feito colcha de retalhos recém-feita por nossa avó, que oferece café e aconchega com um abraço.

Minhas pernas me levaram ao caminho dos sons: da flauta, da sanfona e do tambor. Microfones a postos em todos os postos que brotavam música. E não só música. Os sons falados das conversas descontraídas e dos sorrisos à toa também me levaram a uma sensação de aconchego, feito roda de conversa com os melhores amigos.

De um lado, os ouvidos reconheciam as homenagens a Tim Maia e Gonzagão. De outro, vários artistas cearenses germinando o próprio solo com toda a sua originalidade. Até a saudosa Amy Winehouse ressuscitou nos palcos do festival.

Mais um passo, e dançamos junto com as apresentações de dança. Jazz, balé e forró concentraram paixão, dedicação e olhares curiosos. A dança encantou todos os espaços que pode ocupar e movimentou tudo que pode se mover, incluindo a plateia. Uma piscada de olhos e todos estavam dançando junto com os bailarinos na mesma sintonia.

O teatro, com toda sua potência, trouxe ao público as inquietações das tradições e da religião. Também trouxe o riso leve e descontraído, não menos importante. Pude sentir dentro de mim uma verdadeira completude de sensações que a arte teatral consegue oferecer a todos que se permitem senti-la.

Pela escada rolante, entrei para os universos da literatura e da espiritualidade. Os corredores, sempre repleto de pernas em cruzamento e rostos por toda as partes, revelavam portais de todas as cores. Lançamentos de livros, oficinas, debates, autógrafos, cafés, gente e tiêtagens. Quatro dias são só uma amostra do que a literatura pode causar em quem a vive.

O andar da espiritualidade foi o mais alto e o mais próximo do céu. Lá, vivi experiências que jamais pensei em viver, acredito ser impossível alguém ter saído de qualquer sessão ou vivência sem nenhum tipo de fé. Pelo menos, fé em si mesmo ou no outro foi germinada nos corações.

Com todas suas cores, sons e cheiros, o festival conseguiu reunir, num só lugar, a multiculturalidade. Uniu também todas as tribos de pessoas que você nem imagina que morem na cidade, mas moram e, pela energia que o festival propôs, estavam juntas, entrelaçadas, caminhando em busca de mais cultura e conhecimento. O festival foi um verdadeiro presente para todos nós. Na verdade, nunca deixou de ser. Ele habita em nós, como a arte e a vida.

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